Demei destaca as dificuldades com as inadimplências dos consumidores


Por proposição dos vereadores César Busnello, Josias Pinheiro e Cleuton Rolim, ocorreu na noite desta quinta-feira (21) a Audiência Pública do Departamento Municipal de Energia de Ijuí (Demei), que teve como objetivo discutir as dificuldades enfrentadas, bem como relatar os rumos possíveis e as ações que estão sendo adotadas para manter a concessão.

O Diretor-Presidente do Demei, Marco Aurélio Sikacz, iniciou a sua fala dizendo que o Departamento é uma concessão e explora o serviço de distribuição de energia. Na sua apresentação, Sikacz mostrou diversos dados sobre distribuição de tarifas, faturamento, arrecadação, inadimplências, cortes de energia, trocas da transformadores e o que se pensa para o futuro do Demei.

Em junho deste ano, o Departamento registrou um total de 34.912 clientes faturados, sendo destes, 31.306 residenciais, 66 industriais, 3.317 comerciais e 223 referente a outros. Em uma área de concessão de 45 km².

Em relação aos faturamentos, o gestor mostrou que após a pandemia, o faturamento da autarquia subiu em 25%. Em 2019, o Demei faturou aproximadamente R$ 108 milhões e 200 mil. Em 2020, o rendimento foi em torno de R$ 105 milhões e 600 mil e R$ 129 milhões no ano passado. Entretanto, conforme a tabela de distribuição das tarifas, Sikacz salientou que do total arrecadado somente 12,71% fica com a departamento, referentes ao custo de distribuição.

Sobre as inadimplências dos consumidores, em junho deste ano, o valor que deixou de entrar nos cofres do Demei ultrapassou os R$ 12 milhões. Sendo a maior dívida, segundo o Diretor-Presidente, do Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), que possui uma dívida de aproximadamente R$ 3 milhões e 800 mil. “O HCI está sendo um dos grandes gargalos para o Demei”, afirmou Sikacz.

Defensor contra o corte de energia elétrica, o Diretor-Presidente mostrou aos presentes que em 2020 foram realizados 3 mil 240 cortes, número este que aumentou para 8 mil 222 em 2021. E até junho deste ano, foram realizadas 1.822 interrupções.

De acordo com Sikacz, uma das principais reclamações dos consumidores era a dificuldade de entrar em contato com o Demei. “Atualmente temos a Central de Atendimento Demei (CAD), que além de ser 0800 também pode ser contatado via Whatsapp”, disse o gestor da autarquia que reforçou que a comunidade pode entrar em contato através do número 0800 051 9200.

Um dos momentos mais esperados na audiência, foi sobre os rumos possíveis e as ações que estão sendo adotadas para manter a concessão, ou seja, o futuro do Demei. Sikacz mostrou os objetivos da gestão, entre eles: desenvolver um projeto de governança; promover uma reforma administrativa; e tornar o Demei em uma empresa pública ou Holding (empresa de participações), criando a possibilidade de fornecer diversos tipos de serviços.

Após a explanação do Diretor-Presidente, os vereadores proponentes e a comunidade em geral fizeram seus questionamentos. O Vereador Josias Pinheiro perguntou sobre a situação do almoxarifado, relatando a falta de materiais básicos. Já o Vereador Cleuton Rolim destacou a importância de debater o tema entre o Poder Legislativo e Executivo, direção do Demei e comunidade.

O Presidente da Câmara, Matheus Pompeo de Mattos, disse que as informações quem chegam ao Legislativo são mais graves do que apresentado na audiência, expondo que há ausência de pneus em veículos e falta de cruzetas (material usado para sustentar cabos e equipamentos em um poste de energia). E também questionou sobre as ações que a presidência do Demei prevê para solucionar a dívida do HCI.

Um dos proponentes da audiência, o Vereador César Busnello, propôs a criação de uma Comissão Especial Ampliada, com a participação de todas as bancadas, servidores públicos, representantes do Executivo, presidentes de bairros, para em conjunto iniciar um estudo aprofundado na tentativa de buscar alternativas para manter o Demei.

A comunidade presente também trouxe questionamentos, inclusive, sugerindo a privatização do Departamento. Em resposta, Sikacz disse que alguns materiais já foram comprados, porém enfrenta problemas com fornecedores. E sobre a manutenção dos veículos, o gestor afirmou que está sendo resolvida.

Em relação a dívida do HCI, o diretor disse que é uma situação delicada. “O Hospital fechou a 14ª fatura sem pagamento. Já fizemos várias reuniões com a direção, jurídico e com o prefeito. Hoje, o Demei está patrocinando o HCI, e eles não podem dizer que não, tanto que até hoje nós não judicializamos”, disse Sikacz.


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