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02/03/2017
09:48

Marcelo Odebrecht confirma encontro com Temer e que Padilha tratou de repasse

Executivo relatou que o então vice-presidente não fez pedido direto por R$ 10 milhões .

O executivo Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome, confirmou ter se encontrado com o presidente Michel Temer durante tratativas para a campanha eleitoral de 2014, mas negou ter acertado com o peemedebista um valor para a doação.

 

Ele informou que não houve um pedido direto pelo então vice-presidente da República para a doação de R$ 10 milhões ao PMDB.

 

Segundo ele, tratativas para a doação foram feitas entre o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o executivo Cláudio Melo - e admite que parte dos pagamentos pode ter sido feito via caixa 2.

 

O depoimento foi colhido dentro da ação que investiga a campanha que elegeu a chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014.

 

A suspeita é de que houve abuso de poder político e econômico na disputa presidencial.

 

A ação, que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode gerar a cassação do mandato de Temer e a inelegibilidade dele e de Dilma.

 

 

Em anexo de delação premiada que vazou em dezembro, Melo, que é ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, mencionou o jantar no Palácio do Jaburu no qual Temer teria pedido pessoalmente “auxílio financeiro” a Marcelo, que se comprometeu com R$ 10 milhões.

 

Ao depor nesta quarta-feira para a Justiça Eleitoral, Marcelo Odebrecht disse que Temer não mencionou a doação.

 

O herdeiro do grupo baiano confirma que o jantar foi realizado no momento em que o grupo de Temer negociava uma doação da Odebrecht para apoiar candidatos do partido.

 

Antes do encontro ser agendado,ele recebeu de Cláudio Melo a notícia de que Paulo Skaf pedira R$ 6 milhões em doação para a campanha ao governo de São Paulo.

 

A solução seria usar para parte do dinheiro que seria destinado ao grupo político de Temer para o candidato paulista.

 

O encontro no Jaburu serviria para selar o acordo de que R$ 6 milhões dos R$ 10 milhões ao grupo do PMDB de Temer seriam encaminhados para a campanha de Skaf.

 

De acordo com Marcelo, só após a saída do vice-presidente do local, ele conversou com Padilha e com Melo sobre o tema.

 

Ainda de acordo com ele, parte dos R$ 6 milhões não chegou a ser pago.

 

Marcelo Odebrecht disse ainda à Justiça Eleitoral que a interlocução com o PMDB era dispersa.

 

Os executivos da empresa tinham relação com os Estados, enquanto Melo atuava dentro do Senado em contato com o atual presidente do partido, Romero Jucá (RR). Na Câmara, o contato era com Padilha – mas também mencionou o nome do deputado cassado Eduardo Cunha, que mantinha relação com o empresariado.

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