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15/02/2017
16:10

Presidente da Academia rebate críticas e afirma que Grammy não é racista

Neil Portnow defendeu que processo de escolha é democrático e não vê cor nem gênero

A vitória de Adele na categoria de álbum do ano do Grammys - o disco "25", uma ode às cancões de amor, venceu o politcamente engajado "Lemonade", de Beyoncé - incitou uma revolta nas redes socias, onde muita denunciu certo racismo da National Academy of Recording Arts and Sciences, organziadora da premiação, por constantemente ignorar artistas negros em favor dos cantores brancos.

 

Nos últimos 10 anos, apenas um músico negro ganhou o cobiçado álbum do ano:

 

Herbie Hancock, cujo disco de 2008, "River", foi uma coleção de covers de canções da artista folk Joni Mitchell.

 

Entretanto, de acordo com o presidente da instituição, Neil Portnow, a cerimônia não é influenciada por questões raciais e o processo de escolha dos vencedores é completamente democrática.

 

Em entrevista ao site Pitchfork, o produtor musical de 67 anos afirmou que é um prêmio votado pelos pares.

 

"De forma alguma acho que há um problema racial. Quando dizemos que o Grammy, não estamos falando de uma entidade corporativa - são os 14.000 membros da Academia".

 

"Por usar um sistema de maioria simples, um voto pode mudar tudo",

 

explicou. Portnow também disse que todos o júri são qualificados, o que significa que eles têm discos e músicas gravados.

 

 

Portnow mostrou-se totalmente a favor dos membros e os descreveu como "um espécie de especialistas do mais alto nível de profissionais da indústria".

 

"É sempre difícil criar objetividade a partir de algo que é inerentemente subjetivo,como a arte e a música. Fazemos o melhor que podemos.

 

Temos 84 categorias em que reconhecemos todos os tipos de música, de todos os espectros",

analisou. Para embasar sua defesa, ela argumentou que artistas, na sua "humilde opinião", não escutam música baseados em gênero, raça ou etnia.

 

"Quando você vai votar em uma obra - pelo menos da maneira que eu me aproximo - é como se você colocasse uma venda nos olhos e escutasse.

 

É uma questão de como você reage e o que, na sua mentalidade de profissional, se destaca como o mais alto nível de excelência em qualquer ano.

 

E isso é muito subjetivo", defendeu. Ele ainda afrima que esse é o raciocínio pedido para que os votantes sigam e ignorem marketing, vendas e popularidade, mesmo que "25" tenha vendido 9,2 milhões de cópias nos Estados Unidos, antes os 1,6 milhões de "Lemonade".

 

Há a inda a questão da autoria: Adele escreve quase todas as suas músicas, enquanto Beyoncé conta com uma equipe de composição gigantesca. 

 

Críticos falam em racismo institucional:

 

Entretanto, os críticos não se impressionam.

 

"As pessoas bem intencionadas muitas vezes têm dificuldade em entender como é o racismo sistêmico",

 

escreveu o estudioso da música John Vilanova no ano passado, depois que Taylor Swift derrotou Kendrick Lamar na disputa de melhor álbum.

 

 

Ele diz que os artistas negros são marginalizados em categorias que são "codificadas em preto", como o melhor álbum urbano contemporâneo (que Beyoncé ganhou neste) e melhor desempenho de R&B (concedido a sua irmã mais nova, Solange).

 

A própria Solange falou sobre a derrota de Beyoncé no domingo.

 

Em um tweet apagado ela escreveu: "Crie seus próprios comitês, construa suas próprias instituições, dê a seus amigos prêmios, conceda-se, e seja o ouro que você quer segurar".

 

Enquanto isso, o compositor Kevin Powell sugeriu o "Lemonade"- que aborda a política racial, tiroteios policiais e capacitação feminina - deixou os eleitores "desconfortáveis" porque é "sem preconceitos".

 

"Ainda somos uma nação que não quer lidar tão diretamente com a verdade", disse à CNN.

 

"O álbum de Adele é forte, mas são apenas canções sobre o amor, é seguro e incontroverso, não explora nenhuma novidade, assim como os eleitores dos Grammy, em geral, quando se trata de escolher os vencedores deste prêmio em particular", argumentou. 


Fonte: correio povo

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