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19/08/2015
10:00

CPI do Futebol quer acesso aos contratos da CBF

Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

A CPI do Futebol vai pedir para ter acesso aos contratos fechados pela CBF referentes aos amistosos da seleção brasileira realizados nos últimos dez anos. A expectativa é que o requerimento seja aprovado nesta quinta-feira, em nova sessão já convocada pelo colegiado.

 

"Nós vamos fazer uma série de pedidos de informação sobre contratos que a CBF tem em nível internacional e local. Não só de organização e da comercialização da imagem da seleção brasileira, mas também de patrocínio", disse, nesta terça, o relator da comissão, o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

 

Sob o comando do ex-jogador Romário (PSB-RJ), a CPI ouviu nesta terça os primeiros depoimentos sobre a situação do futebol brasileiro. E, com base em informações do jornalista de O Estado de S. Paulo, Jamil Chade, Romário fez o requerimento para que a comissão tenha acesso aos contratos assinados pela CBF.

 

A CPI quer investigar, por exemplo, os acordos comerciais entre a entidade e as empresas ISE e a Plausus, responsáveis pelos jogos da seleção desde a temporada 2006. A expectativa é que todas as empresas envolvidas com a entidade sejam investigadas pelo colegiado. Em maio deste ano, o jornal O Estado de S. Paulo revelou acordos entre a CBF e essas empresas. A entidade "vendeu" a seleção a parceiras, com lucros exorbitantes para seus agentes.

 

Essas reportagens foram assinadas por Chade. Na audiência no Senado, o jornalista entregou à CPI cópias de três contratos, que tratam de negociações envolvendo jogos amistosos da seleção entre os anos de 2006 e 2022. Os documentos serviram como ponto de partida para os senadores decidirem fazer o pedido oficial à CBF. Também participaram da reunião da comissão os jornalistas Juca Kfouri (Folha de S.Paulo /UOL/CBN/ESPN Brasil) e José Cruz (UOL). Os três defenderam que a CPI pode avançar nas investigações, uma vez que possui mecanismos, como a quebra de sigilo, que a imprensa não tem.

 

"Acho que as perguntas certas foram feitas, mas coisas novas podem surgir se a CPI cumprir a sua finalidade. Ou seja, se a CPI usar das armas e ferramentas que nós jornalistas não pudermos usar, como quebrar sigilos, para apurar direito como são feitos os contratos da CBF", afirmou Chade.

 

Cartola e ex-jogadores

 

Segundo o cronograma de trabalho apresentado na semana passada, a comissão primeiro vai ouvir presidentes de federações estaduais e personalidades importantes do futebol brasileiro, como Pelé e Zico, para somente depois começar a focar, efetivamente, na CBF.

 

A ideia é convocar, nesta próxima etapa, o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo Teixeira, que comandou a entidade entre janeiro de 1989 e março de 2012. Portanto, ele estava no poder quando os contratos para os amistosos foram assinados.

 

Integrantes da comissão também querem ir à Suíça ouvir o depoimento do ex-presidente da confederação José Maria Marin, que foi preso em maio, junto com outros dirigentes da Fifa, sob a acusação de recebimento de propina e outras práticas ilícitas.

 

Marin já sinalizou por meio de sua defesa que, se tiver mesmo de receber os senadores, pretende ficar em silêncio. Ele teme que qualquer coisa que diga possa complicar ainda mais sua situação, principalmente diante da Justiça dos Estados Unidos.


Fonte: CP

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